No coração de todo motor de combustão está o comando de válvulas, um componente cujo papel é crucial, porém muitas vezes subestimado. É essencial reconhecer que essa peça de genialidade da engenharia influencia diretamente o desempenho e a eficiência do motor.
A função principal do comando de válvulas é regular a abertura e o fechamento das válvulas de admissão e escape do motor. Isso é feito por meio de uma dança sincronizada de rotação e sincronismo. Conforme o comando gira, cada ressalto — uma saliência meticulosamente projetada — interage com tuchos ou hastes de comando para controlar com precisão o momento e a duração em que as válvulas permanecem abertas. Essa operação harmoniosa garante que o combustível entre na câmara de combustão e que o escapamento saia nos momentos ideais, impactando diretamente a potência e o consumo de combustível do motor.
O papel do comando de válvulas em um motor de combustão não pode ser subestimado. Ao ditar o sincronismo das aberturas das válvulas, ele desempenha um papel fundamental no processo de respiração do motor. A eficiência desse processo é o que permite que um veículo deslize sem esforço na estrada ou ruja com potência.
A inovação por trás do design de cada ressalto e a precisão com que o comando gira ressaltam a complexidade da engenharia automotiva moderna. Esses componentes trabalham incansavelmente e invisíveis, mas são fundamentais para a capacidade do motor de aproveitar a energia do combustível.
Agora que você entende a função do comando de válvulas, é importante saber como eles funcionam. Vamos começar pelo básico.
Fundamentos do comando de válvulas
As peças‑chave de qualquer comando são os ressaltos. Conforme o comando gira, os ressaltos abrem e fecham as válvulas de admissão e escape em sincronia com o movimento do pistão. Acontece que existe uma relação direta entre o formato dos ressaltos e o desempenho do motor em diferentes faixas de rotação.
Para entender por que isso acontece, imagine que estamos rodando um motor extremamente devagar — a apenas 10 ou 20 rotações por minuto (RPM) — de modo que o pistão leve alguns segundos para completar um ciclo. Seria impossível rodar um motor normal tão devagar na prática, mas vamos imaginar que fosse possível. Nessa rotação lenta, gostaríamos de ressaltos com formato tal que:
- Exatamente quando o pistão começa a se mover para baixo no tempo de admissão (chamado ponto morto superior, ou PMS), a válvula de admissão abriria. A válvula de admissão fecharia exatamente quando o pistão chega ao fundo.
- A válvula de escape abriria exatamente quando o pistão chega ao fundo (chamado ponto morto inferior, ou PMI) no final do tempo de combustão, e fecharia quando o pistão completa o tempo de escape.
Essa configuração funcionaria muito bem para o motor enquanto ele rodasse nessa rotação muito baixa. Mas o que acontece se você aumentar as RPM? Vamos descobrir.
Ao aumentar as RPM, a configuração de 10 a 20 RPM para o comando não funciona bem. Se o motor estiver a 4.000 RPM, as válvulas abrem e fecham 2.000 vezes por minuto, ou 33 vezes por segundo. Nessas rotações, o pistão se move muito rápido, então a mistura ar/combustível que entra no cilindro também se move muito rápido.
Quando a válvula de admissão abre e o pistão inicia o tempo de admissão, a mistura ar/combustível no duto de admissão começa a acelerar para dentro do cilindro. Quando o pistão chega ao fundo do tempo de admissão, a mistura está se movendo em alta velocidade. Se fechássemos a válvula de admissão de uma vez, toda essa mistura pararia e não entraria no cilindro. Ao deixar a válvula de admissão aberta um pouco mais, o momento da mistura em movimento continua forçando ar/combustível para dentro do cilindro enquanto o pistão inicia o tempo de compressão. Então, quanto mais rápido o motor gira, mais rápido a mistura se move e mais tempo queremos que a válvula de admissão permaneça aberta. Também queremos que a válvula abra mais em rotações altas — esse parâmetro, chamado elevação da válvula, é determinado pelo perfil do ressalto.
A animação acima mostra como um comando comum e um comando de desempenho têm sincronismos de válvulas diferentes. Observe que os ciclos de escape (círculo vermelho) e admissão (círculo azul) se sobrepõem muito mais no comando de desempenho. Por causa disso, carros com esse tipo de comando tendem a funcionar de forma muito irregular em marcha lenta.
Qualquer comando será perfeito apenas em uma rotação do motor. Em qualquer outra rotação, o motor não renderá todo o seu potencial. Portanto, um comando fixo é sempre um compromisso. É por isso que os fabricantes desenvolveram esquemas para variar o perfil do comando conforme a rotação do motor muda.
Existem várias disposições diferentes de comandos de válvulas nos motores. Vamos falar sobre algumas das mais comuns. Você provavelmente já ouviu a terminologia:
- Comando simples no cabeçote (SOHC)
- Comando duplo no cabeçote (DOHC)
- Hastes de comando (pushrod)
Na próxima seção, veremos cada uma dessas configurações.